Uma das coisas que sinto falta nos últimos tempos é de mergulhar. Com esta vida de computador acabei viajando pouco este ano e no outro. Sem viagem, sem mergulho. Vida urbana tem seu charme, mas a prática de mergulho não é uma delas.
Meu fascínio pelo mar vem de longe, desde as saídas de lancha com meu pai, quando criança. Adorava ir pescar em alto mar, e na volta brincava com snorkels, máscaras e pé de pato.
Mas a minha primeira vez mergulhando foi muito ruim. Meu pai me convidou para pegar ostras, fiquei todo animado. Acho que tinha visto muitos documentários do Jacques Costeau na TV, imaginei um cenário paradisíaco, as ostras se abrindo e fechando grudadas em lindos corais coloridos.
Quando o barco parou no rio, e não no mar, nem percebi. Só quando meu pai começou a vestir a roupa de mergulho e colocar a máscara que entendi que iríamos mergulhar ali mesmo, naquele rio barrento.
Botei os apetrechos e fui para a água. Não conseguia nem enxergar a minha mão, de tão turva a água. Meu pai mergulhou e desapareceu nas águas do rio. Senti um certo medo, pois não tinha noção de onde ele estava.
Quando ele voltou, estava segurando um monte de ostras. Eu fiquei intrigado.
“Como faz para mergulhar, pai?
“É só ir até o fundo e ficar tateando, quando encontrar alguma coisa pega e traz para cima”, disse ele.
Não foi a melhor aula de mergulho do mundo, fiquei morrendo de medo, e só depois de muito tempo resolvi mergulhar de novo, já grande. E me apaixonei. Meu batismo foi em Abrolhos, quem já foi sabe como é bonito o lugar.

Mergulho em Abrolhos
Pode ser até que existam outros lugares mais bonitos, mas este meu primeiro mergulho foi inesquecível.
E você? Qual foi seu mergulho inesquecível?