Paixão e Amor demais podem fazer mal
O sonho romântico de um grande número de pessoas é viver um amor tão grande, tão grandioso, que transforma praticamente o casal em uma pessoa só.
As duas pessoas passam a viver em comunhão, num tipo de simbiose, que cria uma nova identidade, o Nós.
Conheci muito poucas mulheres que não vivessem esta fantasia de amor, e de paixão. E muitos homens embarcam neste viagem.
De certa maneira isto é um desprendimento de sua individualidade, já que você vai se dispor a abandonar sua personalidade em nome de uma outra, como um padre ou uma freira, que abdicam de sua identidade “pagã” e assumem outro nome quando ingressam para a vida religiosa.
O risco, óbvio, é a perda da identidade. A nova identidade é uma mistura de papéis sociais com questões complexas de personalidade. A tendência é que as características complementares predominem, e as diferenças desapareçam.
Mas… não são todas as características complementares que são positivas. Muitas delas podem ser ruins, e mesmo assim, se encaixarem no perfil da parceira.
O resultado disto é que suas paranóias, medos e inseguranças podem ser complementares à questões de sua parceira, e que vocês dois vivam um ciclo estranho, quase perverso. Em muitas modalidades de relacionamento o cotidiano vai se transformar num inferno. E o pior é que você não vai perceber!
O caminho para o compartilhamento da vida é complicado, pois nunca sabemos qual é o nosso limite e o limite do outro. Mas com certeza a única maneira de que um relacionamento seja saudável para ambas as partes é conseguir manter a individualidade, por menor que seja. Sem a individualidade corre-se o risco de uma fusão, que junta as coisas boas, mas principalmente as ruins de cada um dos lados.

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